Historias Bem Guardadas Cristaleira no Imóvel




 



Clássicas ou modernas, as cristaleiras ocupam espaço privilegiado na decoração e, principalmente, no coração de seus proprietários



Nem todos têm o privilégio de ostentar um móvel elegante, valioso e repleto de histórias na sala de casa, como o decorador de interiores Roberto Amaral da Cunha. Em 1984, ele herdou de seu tio-avô uma cristaleira Art Déco de imbuia maciça que pertenceu ao renomado médico Petit Carneiro – curiosamente, o apartamento onde ela está hoje fica a meia quadra da rua batizada com seu nome. “Para mim, é um relicário, uma espécie de porta-joias. Guardo aqui objetos da família, como as taças que usávamos uma vez por ano, no Natal. São objetos que fizeram parte da minha infância”, recorda. Entre eles, ele destaca o jogo de porcelanas inglesas anterior à Segunda Guerra, herdado dos avôs paternos, 12 taças de cristal Baccarat do século 19 e uma coleção de xícaras deixadas pela avó materna quando ele ainda era criança. Apesar de cuidadoso com as peças – a diarista limpa o móvel e é ele quem realoca os objetos –, Cunha não é a favor de mantê-las a sete chaves. “Cursei gastronomia e adoro receber pessoas em casa. É um prazer servir nestas louças, porque não são só para bonito, elas precisam ter vida”, reflete.
Ambientação


Opções para todos os estilos
Quem deseja incrementar a decoração de casa com um destes móveis, mas não teve a sorte de herdá-los, pode encontrar diferentes opções à venda, inclusive algumas bem modernas. Uma ideia é adquirir peças rústicas, de madeira de demolição, e customizá-las com cores vibrantes, para dar um ar jovial e menos austero. Mas se você não abre mão da tradição, o melhor é garimpar em antiquários. Nelson Raad tem algumas cristaleiras bem conservadas na Jade Rosa Antiguidades, além de peças que originalmente tinham outra função, como louceiros, perfumeiras e étagères (estantes), mas que também podem ser utilizadas para expor seus bibelôs.
Origens
Lembranças de família em exposição
Descendente de ucranianos dos dois lados da família, a psicóloga e livreira Cláudia Serathiuk comprou uma cristaleira há 12 anos, quando deixou a casa dos pais. O móvel em si não é nenhuma relíquia, o valor está em seu conteúdo. Além de abrigar ali suas louças de maior estima – ela é vidrada em porcelanas brancas –, Cláudia dedica uma das prateleiras à memória e à cultura de sua família. “Eu a decorei com uma toalha bordada pela minha avó, objetos que minha mãe trouxe da Ucrânia e muitas pêssankas (ovos decorados) pintadas por mim, meus pais e meus dois filhos. É uma prateleira sentimental, uma exposição das minhas origens”, conta, orgulhosa. 




Serviço
Pedro Dier, fone (41) 3078-0680 e www.pedrodier.com. Jade Rosa Antiguidades, Rua Treze de Maio, 336, Centro, fone (41) 3223-6620.